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CONCÓRDIA

"Para nós, ele ainda continua vivo", diz irmão de vítima que doou coração e outros órgãos
Ricardo Bellan teve morte cerebral e foi doador de vários órgãos na semana passada.


Por Luan de Bortoli
11/02/2019 - 07h
- Atualizada em 11/02/2019 - 21:10



O coração do concordiense Ricardo Bellan continua batendo mesmo com a morte dele. O órgão foi doado e hoje alimenta a vida de uma pessoa de São Paulo. A captação do coração da vítima de um grave acidente ocorreu na última terça-feira, dia 05, no Hospital São Francisco. Esta foi uma das raras vezes em cerca 12 anos que a unidade hospitalar captou este tipo de órgão para transplante completo.

Para a família de Ricardo, não houve dificuldade para decidir pela doação. Foram vários os fatores que contribuíram para a decisão. Principalmente a alegria que o rapaz tinha de viver. “Essa decisão foi tomada por o Ricardo ser uma pessoa brincalhona. Ele sempre falava, se precisava ele tirava o coração dele e dava para alguém. Ele sempre falou isso, não foi uma vez só”, afirmou o irmão Rodrigo Bellan, em entrevista especial à reportagem da Rural e 96 (ouça na íntegra logo abaixo)

Mas mais do que este espírito de alegria, Ricardo nutria o desejo de ajudar o próximo. Por isso, já havia deixado claro que, se algo acontecesse, gostaria de ser doador. A família concretizou este sonho dele. “Ele sempre deixou claro que, em brincadeiras, se algo acontecesse, ele gostaria que de doar os órgãos dele”, lembra o irmão.

Quando a equipe do Hospital São Francisco foi até a família atualizar a situação e mostrar a possibilidade de doação dos órgãos, a família não pensou duas vezes. “Foi decidido já na hora que nós doaríamos, porque já era uma proposta dele. E também porque tinha vida em jogo. Sabíamos que tinha várias pessoas esperando. Então tomamos a decisão rápido, porque tinha gente esperando”, ressalta Rodrigo.

A família superou a dor ao tomar a decisão. O sentimento, agora, é de realização e de dever cumprido, ao pensar que o coração de Ricardo ainda está batendo. “Isso nos conforta. A gente sabe que o coração está em outro peito, fazendo outra família feliz. Estamos com o coração… é lindo, é muito bom isso. Saber que tem outras pessoas, acho que sete pessoas, que hoje estão conseguindo viver melhor”, se emociona o irmão.

Conscientes da importância do ato de doar órgãos, a família agiu rápido e hoje utiliza sua voz para repassar para outras pessoas esta atitude. “Eu acho que as famílias deveriam se sensibilizar, porque é vida. São pessoas que estão necessitando de órgãos. Talvez um rim, um fígado, você tá sempre ajudando. É um momento difícil, mas tem que pensar no melhor. Acho que o Ricardo, mesmo nessa situação que ele se encontrava, conseguiu ajudar pessoas. Para nós, ele ainda continua vivo”.

O protocolo de doação de órgãos não permite, pelo menos em um primeiro momento, o contato entre as famílias doadoras e receptoras. Mas o irmão de Ricardo revela que há sim um desejo de conhecer quem recebeu a ajuda. “Com certeza, sim. Hoje o momento é de descanso, de superar isso. Mas com certeza no futuro, sim. Não é só uma vontade nossa. Até a pessoa receptora vai querer conhecer. A gente tem esse desejo”.

O procedimento realizado na semana passada contou com a ajuda da equipe do Instituto do Coração, de São Paulo, para onde o coração foi levado. Além disso, uma equipe da SC Transplantes também auxiliou na coleta dos rins, pâncreas e fígado, que foram levados para Blumenau e Florianópolis. Para doar, é preciso que o paciente tenha morte cerebral e a família autorize o procedimento

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